Já salvei lá no Instagram da Tanto um depoimento da Carol sobre todo o nosso processo, mas hoje é o dia de contar a minha versão dos acontecimentos <3
Conheci a Carol em 2017. Ela faz vestidos lindíssimos! Usei uma peça dela como madrinha de uma das minhas melhores amigas e, quando a Tanto nasceu, em 2018, ela foi a pessoa que fez o meu primeiro look profissional.
Entre provas, espetadas de agulha e divagações, a gente sempre papeava sobre o meu trabalho com as cerimônias. Um dia, Carol contou que estava namorando e deixou escapar aquele risinho típico de gente apaixonada. Parecia cedo demais, mas ela já dizia: “Um dia você vai me casar, senhooora!”.
Corta para 2020. Já em plena pandemia, Carol me escreve avisando que tinha chegado a hora!
Vamos aos detalhes?
Este foi o primeiro Elopement Wedding que eu fiz.
Uma certeza que ficou é que alguns casais nunca vão dar certo com este formato, enquanto outros, independente de pandemia, parecem (per)feitos para ele.
Carol e Felipe se responsabilizaram por organizar todo o jantar e decoração sozinhos. Eles alugaram uma casa em Trairi/CE e pensaram nos mínimos detalhes, cujos registros deixo aqui para vocês aplaudirem de pé comigo. ATENTOS!
Por todo o contexto do momento, eles optaram por fazer a cerimônia a dois com uma transmissão ao vivo para os amigos e familiares. Achei incrível que isso ganhou uma outra conotação para eles: não de frustração ou pesar, mas de alegria pela oportunidade de compartilhar. Isso porque o Felipe tem amigos e familiares muito próximos espalhados por três países, então, se não fosse por este formato “novo”, que sequer existia pouco tempo atrás, muitas destas pessoas não teriam testemunhado o casamento. Foi uma limonada gostosa feita com os limões que a vida deu!
A transmissão ficou por conta dos queridos da TR Photo Films (@trphotofilms), que estavam estreando nesse ramo de cerimônias online ao vivo.
Além dos noivos, eu e os meninos da TR éramos as únicas pessoas ali, acompanhando de perto a experiência única da Carol e do Felipe, e, por isso, o envolvimento de todos foi fundamental. Há um privilégio e uma responsabilidade grandes nisso, né? Precisamos executar um bom trabalho, mas também manter a emoção e o entusiasmo por aquelas duas pessoas.
Enquanto escrevia o texto e fazia as entrevistas, eu fiquei pensando se alguma melancolia poderia visitá-los naquele dia. O lema de Carol e Felipe é que “só o melhor acontece”, mas, por via das dúvidas, preparei surpresinhas para os dois, na tentativa de amenizar as ausências.
Enquanto a Carol se arrumava, fazia a própria maquiagem e ajeitava o cabelo, eu fui mandando áudios de trechos das entrevistas que fiz com as amigas dela. Era uma forma de trazer a presença das madrinhas, que costumam estar junto da noiva durante os preparativos finais.
E, logo antes de iniciarmos, na hora que seria a “entrada” do cortejo, eu enviei para os dois um audio das mães deles, dizendo exatamente as palavras que diriam se estivessem ali. Foi uma emoção bonita de ver!
Agora, a história:
Carol & Felipe têm um relacionamento à distância. Ela aqui no Brasil, e ele nos Estados Unidos.
A história deles é do tipo que faz cair por terra todos os argumentos contra o amor romântico! rs!
Sabe aquela lista imaginária que algumas pessoas têm com as características que buscam encontrar em alguém? Poisé, eles são praticamente a lista ambulante um do outro! (Crianças, não tentem repetir isso em casa, pois é raro de acontecer, haha).
Quem é noivo da Tanto sabe que eu sempre proponho que façamos algo juntos, que seja a cara do casal. Claro que podemos ir só tomar um café em um lugar aleatório, mas gosto quando aquelas duas pessoas aproveitam a oportunidade para me apresentar um pouco mais do seu universo.
Com Carol e Felipe, o processo de entrevistas foi feito virtualmente, pois, além da pandemia, o Felipe estava lá nos Estados Unidos. Para minha surpresa, que esperava só uma parede branca qualquer de fundo, no dia do primeiro encontro online, eles foram logo dizendo: hoje vamos ver o pôr do sol!
E aí contaram que aquele era um programa que fazia parte da vida remota dos dois. Ele vai dirigindo pela cidade, até um local que tem um pôr do sol bonito, mostrando todo o caminho pra ela, que acompanha tudo pela tela do celular (viva a tecnologia!).
Ouvi tudo e, já ali, liguei as anteninhas, certa de que estava diante de bons elementos para o texto.
Um trechinho da cerimônia:
“Sabe o que sempre achei engraçado? Aquela expressão que diz: “Não estou na vida a passeio!”. Sempre proferida com certo ar de superioridade de quem leva as coisas a sério demais e se orgulha disso. Pois, a mim, orgulha o contrário. Acho admirável quem sabe o privilégio que é poder passear por aí, desfrutando as miudezas do trajeto.
Carol e Felipe sabem. Será essa a primeira coisa a ser feita quando, finalmente, estiverem juntos do lado de lá do Equador: um passeio, ao vivo e a cores! Para ver aquele pôr do sol e visitar aquele lago, conhecidos da Carol apenas através da tela do celular. Manuel de Barros, o poeta das pequenas coisas, escreveu: A palavra amor anda vazia. Não tem gente dentro dela.
Mas, olhando pra vocês assim, acho que Manoel mudaria para o passado este tempo verbal. É isso o que estamos fazendo neste dia 1º de agosto. Viemos testemunhar vocês, Carol e Felipe, colocarem gente dentro da palavra amor“.
Outros pontos que me ajudaram na amarração deste enredo:
– O Felipe contou muitos episódios do processo de imigração dele para o Canadá e depois para os Estados Unidos. Enquanto falava, ele mesmo foi percebendo algumas coincidências em relação a esse tema de distância e solidão.
– A Carol falou de um fato muito marcante do dia em que eles saíram juntos a primeira vez: ela quem foi buscá-lo de carro em casa.
Querem ver como estes pontos apareceram no texto?
“Mesmo que casais sigam os mesmos passos, ainda assim, suas histórias hão de ter destinos diferentes. Talvez porque nessa jornada deliciosa e maluca, que é amar e ser amado, importa pouco o ponto de partida e o ponto de chegada.
Não há certo nem errado. O fundamental não é olhar para frente, e sim para o lado. Não é sobre quando, nem onde, mas sobre quem nos acompanha nesse percurso, que não tem GPS e nem piloto automático. Resta apenas um recurso, que anda meio antiquado, mas que nunca fica enferrujado: no peito, uma bússola. Se no caminho certo estamos, ela pulsa, dispara! Conseguem sentir? Tun-tun!
É verdade: cada um é motorista de sua própria história. Não dá pra terceirizar a responsabilidade pela estrada reta ou pelas curvas sinuosas que decidimos enfrentar. Mas me digam se não é um bom motivo pra comemorar: o fato de Deus, do Universo, ou seja lá que nome tem o guia dessa jornada, ter enviado pra vocês um co-piloto para junto passear. Eu pesquisei. Co-piloto é quem auxilia, operando sistemas, ajudando na tomada de decisões e pilotando quando necessário. Não é figura imprescindível. Fato. Mas, que falta ele faz…
Felipe que o diga. Percorrer longas distâncias faz parte de sua história. E não me refiro apenas a essa ponte aérea entre Estados Unidos, Canadá e Brasil. Quando foi morar em Toronto, ele passava mais de 1 hora no transporte público para chegar à primeira escola em que estudou. Quando voltou ao Brasil, ele saia todos dias do Centro da cidade, mesmo tendo um Ari de Sá no bairro, e ia até a Washigton Soares, só pra estar perto dos amigos de quem tinha sentido tanta falta. Depois, veio a necessidade de organizar a rotina, e mais uma vez lá ia Felipe enfrentar horas de trânsito, sozinho, para chegar ao trabalho, no North Shopping. De volta ao Canadá, calhou de ir fazer faculdade mais uma vez longe de casa. O Felipe me disse: ‘Não sei o que isso quer dizer, Sarah, mas essa experiência se repetiu muitas vezes na minha vida’.
Eu também não tenho essa resposta. Mas uma coisa que aprendi é que a vida tem uma sabedoria muito peculiar. Porque a grande verdade é que a tudo a gente se habitua, até ao desgaste, ao cansaço, à solidão. E é bem aí que a vida arma para o nosso lado e prepara certos acontecimentos, que de bobos não têm nada. Pelo contrário. Olhos menos atentos poderiam deixá-los passar despercebidos. Mas esses pequenos acasos se agigantam pelos seus simbolismos. Neles, moram as respostas para muitas das nossas procuras. Inclusive aquela, escrita por você, Felipe, naquele caderninho que você me mostrou, junto com outras metas e objetivos: desejo encontrar uma companheira para compartilhar meus sucessos e fracassos.
É aí que entra a Carol. Bem resolvida, desenrolada. Sem nem saber, naquele mês de setembro de 2018, Carol acabou interrompendo a sina do Felipe de percorrer caminhos solitários. No dia em que se conheceram, foi ela quem de carro o buscou em casa! Talvez por segurança, precaução, afinal, foi na internet o início da paquera. Mas, eu prefiro acreditar que foi armação da vida, para deixar bem claro que dali em diante, algumas coisas iriam mudar”.
A assinatura
Já disse e repito: optar por uma cerimônia personalizada é adquirir uma página em branco. Não há como saber exatamente qual será o resultado final. Muitas ideias surgem no processo, por isso não podem ser apresentadas antes, como um cardápio de possibilidades.
Lembram da história do caderninho, que o Felipe disse que anotou o que ele esperava encontrar numa companheira, mesmo antes de conhecer a Carol?
Nós recriamos essa cena para um momento de assinatura simbólica, afinal, a história deles mostra que precisamos ser claros ao dizer para a vida o que queremos dela.
Durante o processo de entrevistas, eles responderam juntos para o quê estavam dizendo SIM. Parece uma pergunta boba, mas costuma suscitar boas reflexões.
Na hora da assinatura, eles reescreveram algumas destas frases num bloquinho que virou quadro, para ficar na parede de casa, lembrando sempre que a vida faz a parte dela, mas nós também precisamos fazer a nossa.