Ana e Lucas

Tanto Celebrações / Ana e Lucas

Ana e Lucas

É impossível pensar em Ana e Lucas e não lembrar de quantas vezes converso com os noivos sobre as referências que eles têm do que é ser família. Afinal, é difícil ir em frente numa vida a dois sem acreditar que esse é um caminho real e possível. É urgente olhar e se apropriar daquilo que é fonte de afeto em nossa história.

No caso deste casal querido, algumas dessas fontes são pessoas que já se foram, mas continuam vivas sempre que eles fecham os olhos e pensam no que é amor e apoio incondicional.

Enquanto redigia o texto da cerimônia deles, entendi que seria importante trazer essa presença para o altar. Criei, então, o que apelidamos de Pequeno Museu do Afeto: uma caixinha com recordações significativas, de pessoas, lugares e vivências importantes para eles serem quem são.

Contei com a ajuda de muita gente querida, em especial as mães deles dois, pois surpresa boa conta sempre com muitas mãos.

Não nego: certas cerimônias são uma aposta alta. E ficar com o coração na boca até o último minuto é um preço que costumo pagar, rs! Mas depois da marcha nupcial, Ana entrou ao som de uma música cuja letra dizia: “Desde o dia em que eu te reencontrei, me lembrei daquele lindo lugar, que na minha infância era especial para mim”, e eu tive certeza de que a decisão tinha sido acertada.

 

Vamos aos detalhes deste Pequeno Museu?

 

Lucas é arquiteto, como o pai. Para ele, um lugar nunca é só um lugar.

Contei com a ajuda de um amigo arquiteto e fiz desenhos de lugares importantes da infância e adolescência deles dois.

 

Para o Lucas: fazenda Pacova e os banhos de açude com tios e primos; e Residencial Iracema, com piscina de plástico no quintal, jogos de futebol e algumas quedas de bicicleta.

 

Para a Ana: Theatro Jose de Alencar e os festivais de todo ano, com aplausos da família levada em peso pela dona Edna; e uma certa casa alemã, dos amigos Rudi e a Fran, com chocolates à vontade e mimos para as visitas.

 

Vasculhando um pouco mais, eles encontraram sapatilhas, que ensinaram tanto à Ana. O ballet foi companhia, foi família. Proporcionou à Ana a importante sensação de pertencer a um grupo. E encontraram também uma caixa de charutos. Foi a mãe do Lucas, dona Ilcia, quem me entregou, para lembrá-lo de todas as noites de música e amizade que ele testemunhou, especialmente na casa dos padrinhos Gerardo e Passei.

 

No fim da caixa, eles encontraram o principal deste pequeno Museu: lembranças de quem foi e é fonte incondicional de amor, ainda que não esteja mais presente fisicamente.

 

– O pai do Lucas, Antônio Carlos Medina, cujos óculos continuam inteiros e enxergando novas paragens.

– Os avós da Ana, dona Alzira e seu Isidoro, aqui representados por um quadrinho singelo, bordado pela dona Alzira.

 

Também trouxe a lembrança da Mel, a cachorrinha mais parceira que esse mundo já viu. Ela fazia parte da família do Lucas, quando a Ana entrou na história. Faleceu pouco tempo depois, talvez por saber que agora ele estava em boas mãos. Logo no nosso primeiro encontro, ainda sem o contrato fechado, eles passaram um tempo falando sobre as peripécias da cachorrinha. Pedi que me enviassem uma foto, e encomendei uma Melzinha em forma de anjo.

 

Ali, no altar, fiz um convite aos noivos:

 

“Diante de tantas recordações, deixem emergir todo o afeto, toda a esperança, todo o amor que essas memórias podem provocar. Nutram-se com essas boas emoções. Conectem-se com o que faz vocês acreditarem que vale a pena ser família. São esses os sentimentos que devem ser guardados no coração daqui pra frente. Guardem esse registro. Este é o momento da travessia”

 

Ana e Lucas atravessaram.

E seguem juntos criando novas lembranças para o pequenino Museu do Afeto.

 

 

 

Date

22 de setembro de 2019

Category

Wedding