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A história do meu nome

Eu me chamo Sarah e tenho irmã gêmea chamada Deborah. “Nomes bem diferentes, porque de igual já basta a cara”, mamãe brincava, dando ares de seu estilo peculiar de fugir à regra. “São bíblicos”, completavam, por vezes, alguns familiares, com seus sorrisos largos e orgulhosos. Nunca entendi bem. É que papai e mamãe não eram de ler a bíblia, muito menos ir à missa.

Contavam que a culpa era da música. Nunca a ouvimos no rádio, nem sabíamos a letra completa. Sequer imagino onde mamãe terá lido o refrão: “Casar com Deborah ou com Sarah, meu bom José, você podia, e nada disso acontecia, mas você foi amar Maria”.

E aí vem a parte que gosto da história. É que “Maria” era nossa babá. Hoje, figura constante nas minhas sessões de terapia. Figura sem a qual eu nem existiria.

Dona de uma gargalhada peculiar, “Ia” – como a chamávamos – não tinha muitos dotes culinários, mas a bruaca, acompanhada de um cafezinho entupido de açúcar, estava sempre garantida.

Por vezes, pegava mole demais. Bastava mamãe reclamar da bagunça, e ela partia em nossa defesa cochichando em nossos ouvidos que as gavetas dela também não estavam muito organizadas. Mas Ia também sabia quando engrossar. Não esqueço de quando queimei o braço ao usar um ferro para passar o vestidinho de uma boneca. Uma bolha cresceu imediatamente, e escondi o machucado a tarde inteira. Quando mamãe chegou e revelei o malfeito, Ia questionou: “Por que você não me mostrou?”. Respondi que sabia que ela brigaria comigo. Ao que ela retrucou: “Sim, mas vou brigar de todo jeito, e poderíamos ter colocado uma pomadinha mais cedo”, me dando um abraço na sequência.

Fecho os olhos e me transporto novamente para a cozinha de móveis brancos e madeira da casa da minha infância. Estamos nós três, cantarolando baixinho a música.

Estávamos predestinadas. Há muito tempo ligadas. Entendo José. É impossível não amar Maria.

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